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Gestão Financeira

Precificação no Food Service: Como Calcular o Preço de Venda do Prato

Pare de copiar o preço do concorrente. Os três pilares da precificação, a diferença entre markup e margem de contribuição, e o cálculo passo a passo de um hambúrguer gourmet.

Por Equipe SoftBR, Especialistas em gestão para food service5 min de leitura

Cliente pagando a conta com maquininha em um restaurante

Copiar o preço do concorrente é a forma mais rápida de herdar o prejuízo dele. Ele pode ter aluguel menor, comprar em volume maior, operar com meia equipe — ou simplesmente estar errado e ainda não saber.

E existe um caso pior: o preço que estava certo há oito meses. A carne subiu 18%, o queijo 11%, a embalagem do delivery 7%, e o número no cardápio continuou o mesmo. Ninguém decidiu reduzir a margem; ela foi reduzida.

Os 3 pilares da precificação

1. Custo direto (insumos). Vem da ficha técnica, com fator de correção aplicado. É o único número que muda a cada nota de entrada.

2. Custos fixos operacionais. Aluguel, folha, energia, software, contador. Precisam ser rateados sobre o volume esperado de vendas — normalmente como percentual do faturamento.

3. Margem de lucro desejada. O que sobra depois de tudo. Se você nunca definiu esse número, seu preço não foi calculado: foi adivinhado.

A conta que junta os três parte do custo do insumo e trabalha de trás para frente:

Preço = Custo do insumo ÷ (1 − soma dos percentuais sobre a venda)

Onde a soma inclui custos fixos rateados, impostos, taxa de cartão e a margem desejada. O divisor é a fatia do preço que sobra para o insumo ocupar.

Markup vs. margem de contribuição

O markup é um multiplicador sobre o custo do insumo. Simples de aplicar, perigoso de generalizar: usar markup 3 no cardápio inteiro faz o prato de insumo barato ficar barato demais e o de insumo caro ficar impagável.

A margem de contribuição olha quanto cada prato deixa em reais depois de pagar o próprio custo variável. É mais trabalhosa e muito mais segura, porque revela algo que o markup esconde: um prato com margem percentual baixa mas volume alto pode pagar mais contas que o prato "nobre" que vende três por noite.

Restaurante não paga aluguel com percentual. Paga com reais.

Exemplo prático: hambúrguer gourmet

Estrutura de uma casa com R$ 180 mil de faturamento mensal:

Componente % sobre o preço de venda
Custos fixos rateados 28%
Impostos (Simples, anexo I) 6%
Taxa média ponderada de cartão 4%
Comissão média de canal (mix salão/delivery) 2%
Margem desejada 15%
Soma 55%

Sobram 45% do preço para o insumo. Com custo de ficha técnica de R$ 11,40:

Preço = 11,40 ÷ 0,45 = R$ 25,33 → praticado a R$ 25,90.

Simulador de Preço de Venda

Custo do insumo pela ficha técnica, mais custos fixos, impostos e a margem que você quer.

Preço de vendaR$ 25,33
Markup equivalente2,22×
Margem de contribuiçãoR$ 10,89
MC sobre o preço43,0%

O markup de 2,22× é consequência desta conta, não o método. Aplicá-lo igual no cardápio inteiro faz o prato de insumo caro ficar impagável e o de insumo barato ficar barato demais.

A margem de contribuição em reais é o que paga aluguel e folha. Compare-a entre os pratos multiplicada pelo volume de vendas — não pelo percentual isolado.

A margem de contribuição desse hambúrguer é 25,90 − 11,40 − impostos e taxas variáveis (12% × 25,90 = 3,11) = R$ 11,39 por unidade. Vendendo 640 por mês, ele contribui com R$ 7.290 para pagar a estrutura.

O mesmo prato no delivery

Troque a comissão de 2% por 22% de marketplace e some R$ 1,80 de embalagem. Mantendo o preço de R$ 25,90, a contribuição cai para 25,90 − 11,40 − 1,80 − 7,25 = R$ 5,45, onde os R$ 7,25 são os 28% de custo variável do canal — 6% de impostos mais 22% de comissão. Nada de custo fixo entra aqui: a coincidência com os 28% de rateio da tabela acima é só coincidência. Menos da metade.

É por isso que preço único entre canais é uma decisão, não um padrão — e precisa ser tomada sabendo quanto custa.

Passo a passo: formando o preço de um prato

  1. Feche a ficha técnica com fator de correção aplicado. Sem ela, o custo do insumo é chute e todo o resto herda o erro.
  2. Levante os custos fixos dos últimos três meses e divida pelo faturamento médio do período. Esse é o percentual de rateio — não use referência de mercado quando você tem o seu.
  3. Calcule a taxa de cartão ponderada pelo mix real de bandeiras, prazos e canais, não pela taxa que aparece no contrato da bandeira mais usada.
  4. Defina a margem-alvo antes de ver o preço. Definir depois é ajustar a margem para caber no número que você já queria praticar.
  5. Aplique a fórmula, depois arredonde para cima. R$ 25,33 vira R$ 25,90, nunca R$ 24,90 — o arredondamento para baixo come 1,7% do preço.
  6. Confira contra o mercado por último. Se o seu preço calculado ficou muito acima do praticado na região, o problema está no custo ou na estrutura, não no cardápio.

Matriz de erros comuns

Erro O que custa Como corrigir
Markup único no cardápio inteiro Prato caro sai do mercado, prato barato entrega margem Calcular preço item a item pela fórmula
Somar percentuais sobre o custo Preço sai 15% a 20% abaixo do necessário Dividir pelo complemento, nunca multiplicar
Taxa de cartão do contrato 1 a 2 pontos de margem por mês Média ponderada pelo mix real de pagamento
Preço igual no salão e no delivery Item saudável no salão e deficitário no app Precificar por canal, com comissão e embalagem
Custo de insumo desatualizado Margem some sem ninguém decidir Custo puxado do XML da nota a cada entrada
Arredondar para baixo 1% a 2% do faturamento Arredondar sempre para cima da conta

Ação hoje

  1. Escolha o prato mais vendido da casa e refaça o preço pela fórmula, com os percentuais reais da sua operação.
  2. Levante a taxa média ponderada de cartão do último mês — soma das taxas pagas dividida pelo total transacionado.
  3. Compare o custo de insumo que está na sua planilha com a última nota de entrada do ingrediente principal.
  4. Calcule a margem de contribuição do mesmo prato no delivery, com comissão e embalagem.
  5. Liste os pratos cujo preço não é revisado há mais de seis meses. Eles são a fila.

Próximo passo

O custo que entra nessa conta vem de um documento só: como criar uma ficha técnica perfeita traz o fator de correção e o modelo de ficha gerencial para copiar.

Preço formado é metade do trabalho — a outra é saber quanto cada prato deixa em reais: como calcular a margem de contribuição dos pratos.

E se o custo do insumo na sua planilha envelhece entre uma revisão e outra, o problema não é a conta: planilha de estoque ou sistema ERP mostra a partir de que ponto refazer isso à mão deixa de fechar.

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